Quando o delegado é autoridade competente para proteger crianças e adolescentes: machismo e seus homens vítimas
O artigo aborda a desigualdade no reconhecimento da autoridade competente para proteger crianças e adolescentes em situações de risco, destacando a influência do machismo. A autora, Maíra Marchi Gomes, analisa como a aplicação de medidas protetivas varia entre meninos e meninas, sendo mais acessível para as garotas, e questiona a concepção policial que minimiza a necessidade de proteção aos meninos, revelando um enraizado preconceito de gênero. Além disso, a autora propõe reflexões acerca da ...

O artigo aborda a desigualdade de gênero na aplicação de medidas protetivas para crianças e adolescentes, enfatizando como a proteção é mais facilmente garantida para meninas do que para meninos, devido à fundamentação da Lei Maria da Penha que permite ao delegado de polícia atuar em casos envolvendo violência contra meninas, enquanto meninos só podem contar com a intervenção do Conselho Tutelar ou juiz.
O texto discute ainda a concepção de que a polícia deve agir prioritariamente em defesa da mulher, perpetuando uma visão machista que associa a vulnerabilidade à feminilidade e nega a necessidade de proteção masculina, reforçando estereótipos de gênero sobre masculinidade e virilidade. Além disso, é mencionado o histórico atendimento diferenciado em delegacias, onde apenas mulheres e meninas eram priorizadas, evidenciando uma cultura de urgência na repressão ao autor da violência, ao invés de focar na proteção da vítima, independentemente de seu sexo.
O autor argumenta contra a ideia de que homens não precisam de proteção e critica a visão de que a conquista de direitos femininos é uma ameaça aos direitos masculinos, ressaltando a importância de uma polícia mais inclusiva e garantista que reconheça a complexidade das situações de violência. O artigo utiliza exemplos práticos para ilustrar essas desigualdades e destaca a necessidade de repensar os discursos e atitudes relacionadas ao masculino e feminino dentro do contexto da proteção e da justiça.
Tópicos do artigo
Principais pontos desenvolvidos no texto original
Principais tópicos abordados no artigo "Quando o delegado é autoridade competente para proteger crianças e adolescentes: machismo e seus homens vítimas" por Maíra Marchi Gomes.
- Desigualdade de Gênero na Proteção: Análise de como a proteção de meninos e meninas difere, especialmente em relação ao uso da Lei Maria da Penha como base para medidas protetivas.
- Competência das Autoridades: Discussão sobre quem são as autoridades competentes para solicitar medidas protetivas para crianças e adolescentes, com ênfase na diferença de tratamento entre homens e mulheres.
- Relação entre Gênero e Violência: Reflexão sobre como certas práticas e interpretações policiais perpetuam a ideia de que a proteção de mulheres é prioritária em comparação à de homens, que frequentemente são vistos apenas como agressores.
- Histórico da Atuação Policial: Abordagem do cenário anterior em Santa Catarina onde a proteção a adolescentes do sexo masculino era negligenciada, enfatizando a necessidade de uma mudança de paradigma.
- Desconstrução de Estereótipos: Crítica à ideia machista de que homens não precisam de proteção e à normalização da vulnerabilidade feminina em relação à masculina.
- Consequências da Indiferença: Relato de casos que ilustram a falta de proteção adequada para meninos e a opressão sistemática enfrentada por meninas, evidenciando a urgência de mudanças nas práticas de atendimento policial.
- Reflexões sobre Masculinidade: Exame da concepção de masculinidade que impede o reconhecimento de homens como vítimas, refletindo sobre a necessidade de uma abordagem mais inclusiva e garantista.
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