Lei 13.491/2017 reforça militarização da segurança pública e da Justiça Penal
O artigo aborda a Lei 13.491/2017 e seu impacto na militarização da segurança pública e da Justiça Penal no Brasil, destacando a ampliação da competência castrense federal para julgar crimes dolosos cometidos por militares contra civis. O autor critica essa mudança, apontando que a medida representa uma violação dos direitos humanos e um retrocesso na garantia do julgamento por tribunal civil, evidenciando uma tendência autoritária na política de segurança brasileira. Além disso, discute a ne...

O artigo aborda a militarização da segurança pública e da justiça penal no Brasil, com foco na Lei 13.491/2017, que expande a competência da Justiça Militar para julgar crimes dolosos contra a vida cometidos por militares contra civis, alterando a natureza desses crimes para militar.
Discute também a definição e a frequência das operações de Garantia da Lei e da Ordem (GLO), ressaltando sua normalização na administração de conflitos sociais. A crítica se estende ao reforço de uma lógica beligerante na política brasileira, que se distancia dos princípios de cidadania e dignidade da pessoa humana, e como essa mudança legislativa representa uma manobra para legitimar o uso das Forças Armadas na manutenção da ordem, criando um espaço de indeterminação normativa que pode resultar em violações de direitos.
O artigo conclui com um apelo à desmilitarização da política e do direito, enfatizando a necessidade de garantir a vida e os direitos dos cidadãos em um contexto de crescente autoritarismo.
Tópicos do artigo
Principais pontos desenvolvidos no texto original
Principais temas abordados no artigo "Lei 13.491/2017 reforça militarização da segurança pública e da Justiça Penal", de Leonardo Marcondes Machado.
- Definição de Operações de Garantia da Lei e da Ordem: O conceito estabelecido pelo Ministério da Defesa e a aplicação como resposta às situações de esgotamento dos instrumentos constitucionais.
- Militarização da Segurança Pública: A transformação de operações militares de caráter episódico em práticas recorrentes de administração dos conflitos sociais no Brasil, citando exemplos de decretos de 2017.
- Reforço do Paradigma Beligerante: A substituição da abordagem de governança por uma lógica de militarização, impactando a segurança pública e a justiça penal.
- Alterações na Competência Judicial: A mudança promovida pela Lei n. 9.299/96 que extinguiu a natureza castrense de crimes dolosos contra a vida cometidos por militares, agora sob jurisdição da Justiça Comum.
- Ampliação da Competência Castrense Federal: A reconfiguração de crimes dolosos que favorece um espaço de indeterminação normativa, gerando um quadro para o uso das Forças Armadas como polícia.
- Elasticidade Normativa: A análise crítica do suposto rol taxativo de hipóteses da Lei 13.491/2017 e suas implicações para as garantias individuais e direitos humanos.
- Consequências da Modificação Legislativa: A relação entre as alterações na legislação e a possibilidade de afastar a jurisdição do Tribunal do Júri, além das futuras repercussões para os militares estaduais.
- Afetos do Militarismo na Sociedade: A influência do discurso de combate ao inimigo e as pulsões autoritárias que influenciam a política e a legislação no Brasil.
- Necessidade de Desmilitarização: A urgência de repensar a militarização da política e do direito para garantir os direitos de todos os indivíduos na sociedade.
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