Storytelling no júri: uma perigosa, mas necessária utilização
O artigo aborda a importância do uso de narrativas no Tribunal do Júri, destacando que a construção de uma hipótese acusatória coerente é essencial para a comunicação judicial. Os autores analisam como a narrativa impacta a decisão dos jurados e o processo de evidência, enfatizando tanto os benefícios quanto os riscos dessa abordagem na interpretação dos fatos e na avaliação da prova. A reflexão crítica sobre o modelo narrativo é abordada, sugerindo a necessidade de equilíbrio entre diferente...

O artigo aborda a utilização do storytelling no contexto do Tribunal do Júri, destacando a importância das narrativas na construção de fatos e na tomada de decisões judiciais.
Os autores discutem como a apresentação de argumentos acusatórios e defensivos precisa ser construída de maneira coesa, enfatizando a relevância da comunicação efetiva nas exposições jurídicas. Eles exploram a diferença entre modelos argumentativos, como o atomístico e o analítico, e a forma como esses se refletem na percepção dos jurados sobre as evidências apresentadas. O uso do modelo narrativo é discutido sob a perspectiva da teoria holista, que defende a análise global das provas ao invés de uma avaliação fragmentada. Os autores ainda abordam as críticas a essa abordagem, alertando para os riscos de generalizações e de decisões baseadas em narrativas persuasivas que não consideram a veracidade dos fatos.
Além disso, o artigo sugere a necessidade de um controle sobre a utilização excessiva da narrativa para garantir a objetividade no julgamento e a integridade da análise probatória. Essa reflexão é fundamentada em pesquisa empírica e discussão teórica, fornecendo um panorama sobre as complexidades da interação entre direito e narrativa no processo penal.
Tópicos do artigo
Principais pontos desenvolvidos no texto original
Principais temas abordados no artigo “Storytelling no júri: uma perigosa, mas necessária utilização”, escrito por Denis Sampaio, Rodrigo Faucz, Gina Ribeiro Gonçalves Muniz e Daniel Ribeiro Surdi de Avelar.
- Importância da Narrativa no Tribunal do Júri: A maneira como a apresentação da hipótese acusatória e a refutação defensiva dependem de uma narrativa coerente para facilitar a comunicação e compreensão dos jurados.
- Construção da Decisão Judicial: A influência de vários fatores na tomada de decisões por juízes e conselhos de sentença, destacando a relevância de narrativas bem estruturadas.
- Papel da Narrativa na Prova: A análise da prova como um elemento narrativo e a importância de descrever ações e motivações dos envolvidos para fortalecer a acusação.
- Modelos Argumentativos: Discussão sobre modelos atomísticos e analíticos aplicados à arguência, levando em conta sua eficácia em certas circunstâncias.
- Teoria Holista: Utilização de narrativas globais na avaliação das provas, que consideram o conjunto da história ao invés de fragmentos isolados.
- Críticas ao Modelo Narrativo: Reflexões sobre os perigos da exclusividade do modelo narrativo e sua interpretação, requerendo um equilíbrio com métodos de avaliação crítica das provas.
- Desafios da Persuasão Narrativa: O alerta sobre possíveis manipulações nas narrativas que podem obscurecer a verdade, enfatizando a necessidade de um controle rigoroso sobre seu uso.
- Pesquisas Empíricas sobre Decisão do Júri: Análise de trabalhos que mostram como jurados interpretam narrativas e organizam informações durante julgamentos.
- Conceito de Coerência Narrativa: A importância de manter a coerência na narrativa para garantir a plausibilidade e a aceitação pelos jurados.
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