Educação jurídica deixa diversos elementos de afeto pelo caminho
O artigo aborda a importância de reintegrar o afeto na educação jurídica contemporânea, destacando como a tradição educacional ocidental, marcada pela razão e pelo patriarcado, tem negligenciado aspectos fundamentais da subjetividade e da alteridade. Baseando-se nas reflexões de Luis Alberto Warat e Friedrich Nietzsche, o texto critica a objetificação do ensino e a formação de indivíduos desconectados de suas emoções e identidades, propondo uma pedagogia que valorize a sensibilidade e a criat...

O artigo aborda a importância de integrar afeto e educação no contexto da formação jurídica, enfatizando que a educação deve acolher as transformações culturais e sociais do século XX, incluindo a valorização dos aspectos femininos e o modelo de civilização contemporânea.
Discute a carência de afeto na tradição educacional ocidental, que é moldada por raízes cristãs e uma visão dualista entre razão e emoção, refletindo a crítica de Nietzsche sobre a separação entre o mundo dos afetos sensíveis e os inalcançáveis. A relação entre os deuses Apolo e Dionísio é explorada para ilustrar a luta entre a ordem e a criatividade, e a necessidade de um equilíbrio que promova a sensibilidade no processo educativo. A obra de Luis Alberto Warat é citada como um chamado à pedagogia que valoriza a alteridade e a autonomia dos alunos.
O artigo alerta para a objetificação da educação, que molda profissionais com uma ausência de afetividade, argumentando que a verdadeira aprendizagem é um processo de desaprendizagem e redescoberta. Além disso, critica a hiperespecialização do estudante de Direito atual, defendendo um retorno ao reconhecimento das emoções e da corporeidade como fundamentais na formação do ser humano integral. Por fim, sugere que o afeto deve ser resgatado no âmbito jurídico, promovendo uma sensibilização que revalorize a experiência humana no Direito.
Tópicos do artigo
Principais pontos desenvolvidos no texto original
Principais temas abordados no artigo "Educação jurídica deixa diversos elementos de afeto pelo caminho", de Paulo Ferrareze Filho.
- Relação entre afeto e educação: A importância de integrar aspectos afetivos no processo pedagógico, considerando as mudanças da cultura ocidental no século XX.
- Influência da tradição educacional: A base da educação ocidental na tradição cristã e suas implicações na pedagogia contemporânea.
- Visão crítica de Nietzsche: A desconstrução da separação entre afetos sensíveis e inalcançáveis, destacando a relevância dos elementos dionisíacos na educação.
- Educação como processo de desaprendizado: A necessidade de transformar alunos em descobridores autônomos, em oposição a receptores de verdades absolutas.
- O papel da sensibilidade na pedagogia: A crítica ao excesso de objetificação e a urgência de retornar à afetividade no ensino jurídico.
- Impacto da técnica na educação: A transformação do estudante em um "mecânico operativo" e a perda da dimensão afetiva no ensino direito.
- Necessidade de reconexão com o ser humano: A urgência de trazer de volta a carne, o choro e o abraço, elementos esquecidos na formação dos profissionais do Direito.
- O afeto no Direito: A reflexão sobre como o afeto pode revolucionar a prática jurídica e o papel fundamental que ele desempenha nas relações profissionais.
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