Da ética da psicanálise à ética do processo penal (parte 2)
O artigo aborda a intersecção entre a ética da psicanálise e a ética do processo penal, tendo como base os conceitos de verdade e prova discutidos por Carnelutti. O texto destaca que o verdadeiro desafio no processo penal é ético e não meramente epistemológico, enfatizando a natureza ficcional da verdade e a responsabilidade do juiz nas decisões. A análise propõe que tanto a psicanálise quanto o Direito operam em um campo de ação e escolha, onde a liberdade e a responsabilidade são centrais.

O artigo aborda a intersecção entre a ética da psicanálise e a ética do processo penal, analisando três problemas principais propostos por Carnelutti sobre a verdade no processo penal: a impossibilidade da verdade, a construção do saber em torno de um "furo" e a natureza ética da decisão baseada em provas.
São discutidos conceitos de Lacan e Harari sobre a linguagem e a ficção, refletindo sobre como a verdade e o mito se inter-relacionam na construção da realidade legal. A peça destaca a crítica aos modelos processuais que insistem na busca da verdade como um valor absoluto e relaciona essa discussão à ética, sugerindo que a atividade judicial deve ser vista como uma escolha responsável, conforme pautas democráticas estabelecidas na Constituição de 1988.
A análise conclui enfatizando a necessidade de reconsiderar a função do juiz e sua liberdade de decisão, reforçando que o processo penal é essencialmente uma questão ética, onde as decisões judicializadas são carregadas de responsabilidade e reflexões sobre o agir humano.
Tópicos do artigo
Principais pontos desenvolvidos no texto original
Principais temas abordados no artigo "Da ética da psicanálise à ética do processo penal (parte 2)" de Matheus Felipe de Castro.
- A Impossibilidade da Verdade: A verdade é considerada um impossível no contexto do processo penal, convergindo com a ideia de que todo saber está constituído em torno de um "furo".
- A Linguagem e a Construção da Verdade: A linguagem possui uma estrutura de ficção, na qual verdades e mitos se articulam, influenciando a compreensão da realidade legal.
- A Intersecção entre Direito e Psicanálise: A psicanálise é apresentada como uma ética, destacando a necessidade de deslocar a discussão da verdade do campo epistemológico para o ético no processo penal.
- A Função do Juiz: O juiz é posicionado como sujeito do saber, ressaltando a complexidade de sua autoridade e a relação entre fatos e direito.
- A Verdade como Ideologia no Processo Penal: A verdade no processo penal é vista como uma construção ideológica, com diferentes posições sobre a sua relevância variando entre modelos processuais inquisitoriais e garantistas.
- A Ética na Decisão Judicial: O artigo argumenta que o problema central da decisão no processo penal é ético, centralizando a responsabilidade da escolha, ao contrário da crença em verdades absolutas.
- A Crítica ao Cogito na Psicanálise: A psicanálise contemporânea e a crítica à relação autoritária entre analista e analisando, com foco na subjetividade e na ética da escolha.
- A Legitimidade Ética do Processo Penal: A necessidade de reexaminar a liberdade do magistrado e reativar a ética do processo, em linha com os princípios democráticos estabelecidos na Constituição de 1988.
Autores na comunidade
Sobre os experts
Professores e especialistas que conduziram este conteúdo
Explore
Indicações relacionadas a este conteúdo















Não perca este conteúdo
Assine a Criminal Player e tenha acesso imediato a esta aula, mais de 4.900 conteúdos, ferramentas de IA e a maior comunidade de advocacia criminal do Brasil.