O esotérico crime de ato obsceno e os pudicos de plantão
O artigo aborda a ambiguidade do crime de ato obsceno conforme previsto no Código Penal, destacando sua natureza subjetiva e a falta de critérios objetivos para sua definição. Os autores discutem como a norma, ao ser influenciada por valores culturais e morais, pode resultar em interpretações arbitrárias, violando princípios de legalidade e taxatividade. Além disso, são apresentados casos e decisões judiciais que evidenciam essa problemática e questionam a constitucionalidade do tipo penal.

O artigo aborda a complexidade do crime de ato obsceno, conforme previsto no art. 233 do Código Penal, discutindo a falta de clareza na definição do que constitui tal conduta.
São analisadas questões relacionadas à moralidade sexual e à subjetividade na interpretação da lei, questionando como normas abertas podem ser influenciadas por padrões culturais e preconceitos individuais. Além disso, o texto examina casos jurisprudenciais que revelam a inconsistência na aplicação do conceito de obsceno, como em situações de nudismo, manifestações artísticas e condutas em espaços públicos que desafiam a percepção do pudor.
O artigo também critica a violação dos princípios da legalidade e da taxatividade na criminalização de atos que podem ser vistos de maneira diferente dependendo do olhar de cada indivíduo ou contexto social. Por fim, argumenta-se que a regra que define o crime de ato obsceno é obscenamente inconstitucional por sua vaguidade e por permitir interpretações arbitrárias.
Tópicos do artigo
Principais pontos desenvolvidos no texto original
Principais tópicos abordados no artigo "O esotérico crime de ato obsceno e os pudicos de plantão" por Salah Khaled Jr e Alexandre Morais da Rosa.
- Teoria da Decisão: Discussão sobre o uso de uma teoria de decisão influenciada pelo senso comum e os problemas associados a ela, como a subjetividade e a falta de um referencial objetivo.
- Artigo 233 do Código Penal: Análise do tipo penal que define ato obsceno, abordando a falta de clareza e a subjetividade envolvida na definição de "obsceno".
- Questão Cultural: Reflexão sobre como a criminalização de atos obscenos depende do contexto cultural e moral vigente, questionando a segurança jurídica dessa abordagem.
- Críticas à Jurisprudência: Exemplos de decisões judiciais que apresentam interpretações bizarras e inconsistentes sobre o que constitui um ato obsceno, ilustrando a falta de um critério claro.
- Liberdade de Expressão: Debate sobre a relação entre atos considerados obscenos e a liberdade de expressão, incluindo jurisprudências relevantes do STF.
- Normas Proibitivas e Preconceitos: Análise da violação da taxatividade e legalidade nas normas existentes e como isso é afetado por preconceitos sociais.
- Natureza Esotérica da Regra: Crítica à própria natureza da norma que trata do ato obsceno, considerada obscenamente inconstitucional pelos autores.
- Referencial Teórico: Citações de autores como Alberto Silva Franco e sua visão sobre a interpretação da moralidade na legislação penal.
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