O constante conflito entre a prisão preventiva e a presunção de inocência
O artigo aborda a tensão entre a prisão preventiva e o princípio da presunção de inocência, discutindo suas implicações no contexto das reformas processuais penais na América Latina. O autor, Thiago Minagé, analisa como a prisão preventiva, muitas vezes utilizada de forma indiscriminada, desafia garantias fundamentais e reflete sobre a necessidade de um uso mais racional e proporcional desse instrumento, em conformidade com normas internacionais de direitos humanos. Em última análise, o texto...

O artigo aborda o conflito entre a prisão preventiva e o princípio da presunção de inocência, explorando a evolução legislativa no processo penal da América Latina em direção a modelos mais garantistas.
Discute-se a função da prisão preventiva como medida excepcional e cautelar, em contraste com sua aplicação frequente e frequentemente abusiva, que ignora os direitos humanos. São examinados os objetivos da prisão preventiva, suas limitações constitucionais e a necessidade de evitar seu uso como punição antecipada. A crítica se estende ao uso da prisão preventiva por órgãos do Estado e na percepção da sociedade, que frequentemente a vê como solução para a criminalidade. O texto também destaca a importância de modelos teóricos que defendem a regulamentação severa da prisão preventiva, introduzindo aportes de Luigi Ferrajoli e Alberto Binder, que questionam sua compatibilidade com a presunção de inocência e propõem alternativas ao encarceramento antes da condenação.
Por fim, são apresentados cinco modelos para a estruturação da prisão preventiva, enfatizando a necessidade de controles rigorosos e a promoção de um sistema processual penal que respeite os direitos individuais.
Tópicos do artigo
Principais pontos desenvolvidos no texto original
Principais tópicos abordados no artigo "O constante conflito entre a prisão preventiva e a presunção de inocência" por Thiago Minagé.
- Transição nos sistemas penais: Discussão sobre a mudança de sistemas inquisitórios para acusatórios na América Latina, enfatizando a redução da iniciativa probatória do juiz e o equilíbrio entre acusação e defesa.
- Finalidade da prisão preventiva: Análise da prisão preventiva como medida garantidora, destinada a ser excepcional e não um meio de punição antecipada ou de garantia da segurança pública.
- Rigor na legalidade: Importância de respeitar os princípios de legalidade, presunção de inocência, necessidade e proporcionalidade para justificar a prisão preventiva.
- Instrumento de poder estatal: Reflexão sobre como a prisão preventiva se tornou um forte instrumento de coerção e exercício do poder estatal, frequentemente usada para atender a pressões sociais para uma resposta rápida à criminalidade.
- Impacto sobre indivíduos vulneráveis: Crítica ao uso desigual da prisão preventiva que atinge desproporcionalmente os setores mais vulneráveis da sociedade.
- Teorias de Ferrajoli e Binder: Exploração das contribuições de Luigi Ferrajoli e Alberto Binder em relação ao garantismo penal e à crítica ao uso da prisão preventiva, destacando a ambivalência entre presunção de inocência e encarceramento antes da sentença.
- Modelos teóricos de prisão preventiva: Proposição de cinco modelos de uso da prisão preventiva, variando de um enfoque autoritário até a completa deslegitimação do seu uso com base constitucional.
- Requisitos de uso da prisão preventiva: Proposta de standards de intolerabilidade para a prisão preventiva, sua excepcionalidade e a necessidade de controle e revisão judicial.
- A importância do contraditório: Definição de regras que garantam o direito de defesa desde o início da investigação, evitando a decretação de prisão preventiva sem a manifestação adequada da defesa.
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