Repensar os pilares do Estado moderno é pressuposto para a gestão pública (parte 2)
O artigo aborda a reconfiguração da soberania estatal no contexto da globalização, destacando a transição do modelo tradicional de Estado para um novo paradigma caracterizado por uma ordem transnacional. O autor explora como a inserção de novos atores, a fragmentação da autoridade e a descentralização funcional transformam a gestão pública, desafiando a lógica clássica do Estado-nação e promovendo uma governança mais colaborativa e diversificada. Além disso, o texto analisa a emergência de ri...

O artigo aborda a redefinição da soberania estatal provocada pela globalização, com foco em três principais alterações: a diminuição da liberdade dos Estados em um cenário de ordem transnacional, o surgimento de novos atores nas relações internacionais e a necessidade de formação de entidades mais amplas que superem o Estado-nação.
O texto discute o Estado contemporâneo, classificado como enquadrado em uma nova ordem internacional, rivalizado por novas forças sociais, englobado por entidades superiores, policêntrico devido à crise das hierarquias tradicionais e segmentado com centros de gestão autônomos. A crise de autoridade da ONU, o imperialismo americano e a hegemonia do modelo democrático-liberal também são abordados, além da proliferação de organizações internacionais que afetam as políticas públicas. O artigo menciona a cosmopolitização dos riscos, como o terrorismo, que desafia a lógica do Estado weberiano, e destaca a descentralização e diversificação das estruturas administrativas do Estado.
Por fim, enfatiza como a gestão pública modernizada tem se adaptado à complexidade do cenário global, com uma administração cada vez mais ligada ao setor privado e à formação de redes interdependentes, sugerindo que o conceito de Estado deve ser revisitado para refletir estas transformações.
Tópicos do artigo
Principais pontos desenvolvidos no texto original
Principais temas abordados no artigo "Repensar os pilares do Estado moderno é pressuposto para a gestão pública" de Marco Aurélio Marrafon.
- Redefinição da Soberania: Discussão sobre como a globalização alterou a ideia tradicional de soberania do Estado, levando a uma maior integração e pluralidade nas relações internacionais.
- Novos Atores Internacionais: A emergência de novos agentes que rivalizam com os estados na cena política e social, incluindo empresas multinacionais e redes transnacionais.
- Crise da ONU: Análise da crise de autoridade da ONU e seu impacto na legitimidade da soberania estatal, exemplificada pela invasão do Iraque pelos EUA.
- Modelo Democrático-Liberal: Domínio do modelo democrático-liberal na política internacional, como resultado da globalização e a eliminação de alternativas ao regime democrático.
- Proliferação de Organizações Internacionais: Como organizações internacionais regulam as políticas dos Estados, criando “ilhas” de matérias jurídicas com obrigações vinculativas.
- Soberania Contemporânea: Discussão sobre a nova configuração da soberania em um contexto globalizado, marcada pela interdependência e a pluralidade de autoridades.
- Crisis e Violência Política: Reflexão sobre a cosmopolitização dos riscos, incluindo terrorismo e outros fatores que desafiam a lógica do Estado moderno.
- Estado "Englobado" e "Segmentado": Análise das novas formas de organização do Estado, destacando a descentralização e a emergência de estruturas em rede.
- Interdependência e Gestores Privados: A crescente influência do setor privado nas funções estatais e a importância da especialização na administração pública.
- Transformação do Direito e Gestão Pública: Como a reconfiguração do Estado influencia as práticas de gestão pública e a forma como o direito é aplicado na sociedade contemporânea.
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