O futuro do Direito como Direito fraterno
O artigo aborda a proposta de Eligio Resta para um futuro do Direito que se baseia na fraternidade, superando a lógica da inimizade e a intervenção excessiva do Estado. Resta argumenta que a verdadeira realização dos direitos deve ocorrer em um contexto de reciprocidade e solidariedade, desafiando modelos jurídicos que priorizam o individualismo e a soberania nacional. A reflexão convida a um repensar das relações jurídicas em busca de um Direito que promova uma convivência mais pacífica e ju...

O artigo aborda a visão de Eligio Resta sobre o futuro do direito como um sistema que deve se fundamentar na fraternidade, destacando a importância da ambiguidade nas definições jurídicas e sociais, onde os conceitos de bom/mau e justo/injusto se entrelaçam, assim como o conceito platônico de pharmakon que simboliza essa dualidade.
Resta alerta para a necessidade de um direito não violento, enfatizando que a soberania estatal e o modelo de cidadania individualista são obstáculos à universalização da fraternidade, propondo um retorno à solidariedade comunitária e uma responsabilidade mútua entre os cidadãos. Além disso, ele critica a aplicação do direito moderno, que muitas vezes ignora o papel da cultura comunitária na proteção dos direitos, e sugere que o futuro depende de uma mudança nas relações jurídicas para promover uma cidadania mais inclusiva e harmoniosa, onde as relações interpessoais são vistas como um problema coletivo, e não apenas como uma questão de litígios individuais.
Por fim, o autor conclui que a transformação desses paradigmas é essencial para garantir a viabilidade e a evolução do Direito em um mundo cada vez mais complexo e interconectado.
Tópicos do artigo
Principais pontos desenvolvidos no texto original
Principais temas abordados no artigo "O futuro do Direito como Direito fraterno", de Marco Aurélio Marrafon.
- Homenagem ao Professor Eligio Resta: Reflexão sobre o impacto do ensino e da filosofia de Resta durante o doutorado na Università degli Studi di Roma Tre.
- Ambiguidade do Direito: Discussão sobre a ineficácia de definições maniqueístas e a complexidade do fenômeno jurídico, utilizando o conceito platônico de pharmakon.
- Futuro do Direito Fraterno: Proposição de um direito que promova a fraternidade em vez de alimentar a inimizade, enfatizando a consciência de dever entre indivíduos.
- Superação da Modernidade Jurídica: Análise crítica do modelo estatal de soberania nacional e sua relação com os direitos fundamentais, que são frutos de ideais universalistas.
- Reforma das Relações Jurídicas: A necessidade de repensar a simetria e a responsabilidade nas relações jurídicas, como forma de resgatar a fraternidade no direito.
- Crítica ao Estado Soberano: Identificação do Estado como um obstáculo à verdadeira universalização da fraternidade, propondo uma civitas maxima sem nacionalismos.
- História e Semântica do Direito: A importância de resgatar traços apagados da tradição jurídica que promovem a solidariedade e cidadania além do individualismo.
- Desafios Atuais do Direito: Reflexão sobre o esgotamento do modelo jurídico atual diante da intolerância e do crescimento da demanda judicial, enfatizando reformas insuficientes.
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