Juiz de garantias — manutenção do sistema inquisitorial (parte 1)
O artigo aborda a reforma do processo penal brasileiro com a introdução do juiz de garantias, destacando sua importância na preservação da imparcialidade durante a fase investigatória. Apesar do reconhecimento da constitucionalidade por parte do STF, críticos argumentam que sua limitação de atuação até o oferecimento da denúncia compromete a integridade do processo, perpetuando uma abordagem inquisitorial. A discussão se aprofunda sobre como essa realidade impacta o julgamento no júri e outra...

O artigo aborda a reforma do processo penal brasileiro com a inclusão do juiz de garantias pela Lei n° 13.964/2019, destacando sua importância na manutenção do sistema acusatório e a recente declaração de constitucionalidade pelo Supremo Tribunal Federal (STF) em agosto de 2023.
Explica a necessidade de dividir as competências do juiz para assegurar sua imparcialidade durante a fase de investigação, mencionando a teoria da dissonância cognitiva que sugere que a atuação do julgador no inquérito pode afetar seu julgamento posterior. Discute também a controvérsia gerada pela decisão do STF ao entender que a função do juiz de garantias se limita ao oferecimento da denúncia, o que compromete sua efetividade, e critica o risco de perpetuação de um sistema penal inquisitorial.
Além disso, menciona a devida regulamentação do juiz de garantias pelo processo legislativo e critica o STF por não respeitar a função do legislador ao reinterpretar normas, concluindo que a implementação do juiz de garantias é mais simbólica do que funcional, especialmente no contexto do júri, que será discutido em uma próxima publicação.
Tópicos do artigo
Principais pontos desenvolvidos no texto original
Principais tópicos abordados no artigo sobre o juiz de garantias e suas implicações no processo penal, escrito por Gina Ribeiro Gonçalves Muniz, Rodrigo Faucz e Denis Sampaio.
- Reforma do Processo Penal de 2019: Discussão sobre o “pacote anticrime” e a introdução do juiz de garantias como inovação importante.
- Decisão do STF: Análise da constitucionalidade do juiz de garantias e suas implicações no sistema penal democrático.
- Divisão Funcional de Competência: Função do juiz de garantias em resguardar direitos fundamentais e garantir imparcialidade durante a investigação.
- Teoria da Dissonância Cognitiva: Impacto do envolvimento do julgador na fase investigativa sobre suas decisões subsequentes.
- Limitações Implicadas pela Decisão do STF: Críticas à proposta de que a competência do juiz de garantias se encerra com a denúncia, comprometendo a originalidade cognitiva.
- Implicações para a Imparcialidade Judicial: Risco de que decisões sejam influenciadas por elementos informativos da fase investigativa.
- Sabotagem Inquisitorial: A crítica à manutenção do caderno investigativo no processo e sua relação com o entendimento do STF.
- Debates sobre a Aplicação do Juiz de Garantias: Questionamentos sobre a não aplicação da figura do juiz de garantias em determinados tipos de procedimentos e crimes.
- Desafios da Função Legiferante do Parlamento: Reflexão sobre a continuidade das práticas inquisitórias e o papel do STF nas reformas legislativas.
- Visão Crítica sobre a Implementação: Considerações sobre a efetividade do juiz de garantias e a exclusão de suas garantias na prática.
- Perspectivas Futuras: Indicação de que o tema será ampliado em discussões futuras, especialmente em relação ao Tribunal do Júri.
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