Teoria das janelas quebradas: e se a pedra vem de dentro?
O artigo aborda a crítica da Teoria das Janelas Quebradas e seu impacto na segurança pública, questionando a validade das políticas de Tolerância Zero implementadas no Brasil e nos Estados Unidos. Os autores analisam as consequências dessa abordagem, que foca na repressão de pequenos delitos como forma de prevenir crimes graves, e apontam falhas nas premissas da teoria, sugerindo que as causas da criminalidade são mais complexas e interligadas às condições sociais. A discussão também ressalta...

O artigo aborda a Teoria das Janelas Quebradas, identificando suas origens na política de Tolerância Zero, implementada em Nova York na década de 1990, e suas implicações e críticas.
A teoria sugere que a tolerância a pequenas infrações leva à criminalidade mais grave, uma noção contestada por evidências empíricas que mostram que outras cidades experimentaram queda na criminalidade sem seguir essa política. O texto discute a relação entre ordem e desordem, questionando definições arbitrárias que podem estigmatizar indivíduos como “desordeiros”. Ele também traz à tona questões sobre o impacto social desse enfoque, que ignora o contexto econômico e social dos indivíduos marginalizados, como mendigos e catadores de papel.
Além disso, critica a ineficiência do Estado em resolver os problemas sociais e expõe a falta de uma abordagem ressocializadora, defendendo um Direito Penal mínimo e uma maior inclusão social. O autor argumenta que a Broken Windows Theory, ao se focar na punição, não promove a reabilitação. O artigo utiliza referências de teóricos como Michel Foucault, Wesley Skogan, e Alessandro Baratta, analisando a lógica punitiva e suas consequências na sociedade contemporânea.
Tópicos do artigo
Principais pontos desenvolvidos no texto original
Principais tópicos abordados no artigo "Teoria das janelas quebradas: e se a pedra vem de dentro?" por Jacinto Nelson de Miranda Coutinho.
- Origem da Teoria das Janelas Quebradas: Discussão sobre a implementação da teoria por Rudolf Giuliani em Nova York nos anos 90, e as suas implicações na política de segurança pública.
- Impacto da Tolerância Zero: Análise do conceito de Tolerância Zero e sua relação com o policiamento comunitário e suas consequências sociais.
- Crítica empírica à teoria: Avaliação das evidências que questionam a eficácia da Teoria das Janelas Quebradas na redução da criminalidade em Nova York, comparando com outras cidades.
- Definições de ordem e desordem: Exploração do que constitui ordem e desordem em um contexto social, abrangendo a possibilidade de interpretações variáveis.
- Conseqüências da punição: Debate sobre como a abordagem punitiva da Tolerância Zero afeta indivíduos marginalizados e a construção de categorias de desordeiros.
- Critica do labelling approach: Análise da teoria do etiquetamento e como a aplicação da Broken Windows Theory pode levar à estigmatização de certos grupos sociais.
- Propostas alternativas: Sugestão de um sistema penal mínimo e a urgência da implementação de políticas sociais que integrem educação e saúde para uma abordagem mais eficaz na segurança pública.
- O paradoxo do Estado: Discussão sobre a contradição entre um Estado Mínimo e as exigências de um Estado Máximo para aplicar a política de Tolerância Zero, destacando a falta de eficácia da mesma.
- Conclusões sobre a Tolerância Zero: Reflexão acerca dos danos sociais e éticos causados pela aplicação da Teoria das Janelas Quebradas e a crítica sobre a percepção de que a exclusão é a solução para a criminalidade.
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