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Artigos Conjur – A ambição do guarda da esquina é a teletela que está no seu bolso

ARTIGO

A ambição do guarda da esquina é a teletela que está no seu bolso

O artigo aborda a violação do direito à privacidade em contextos de investigação criminal e os dilemas jurídicos pertinentes ao acesso não autorizado a informações em dispositivos móveis. Os autores discutem a importância do respeito à privacidade como um pilar dos direitos humanos e destacam o papel das legislações, como o Marco Civil da Internet e a LGPD, na proteção dos dados pessoais. Por fim, levantam a necessidade de um juízo de garantias para assegurar que a análise do conteúdo de celu...

Thiago Vieira
23 jul. 2020 12 acessos
A ambição do guarda da esquina é a teletela que está no seu bolso

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Publicado no Conjur
Resumo do artigo

O artigo aborda a intersecção entre privacidade, direitos fundamentais e vigilância no contexto do avanço tecnológico e das práticas policiais no Brasil.

Primeiramente, discute a violação do direito à privacidade no acesso não autorizado a dados de celulares durante investigações criminais e o papel do Supremo Tribunal Federal na definição da legalidade dessas práticas. Em seguida, examina o conceito de capitalismo de vigilância, que utiliza nossos dados para controle social e econômico, ressaltando a importância da privacidade como um valor inalienável, essencial para a autonomia e dignidade do indivíduo. O texto também analisa legislações relevantes, como o Marco Civil da Internet e a Lei Geral de Proteção de Dados (LGPD), que impõem restrições ao tratamento de dados pessoais, até mesmo em situações de investigação criminal.

Além disso, questiona a fragilidade da evidência digital e a necessidade de que sua coleta e preservação sejam feitas por profissionais capacitados para garantir a integridade da prova. A discussão se estende à proposta de um juízo de garantias para assegurar que a análise do conteúdo dos aparelhos apreendidos ocorra somente com autorização judicial, preservando os direitos dos cidadãos, especialmente de grupos vulneráveis, como jovens negros e periféricos, frequentemente sujeitos à vigilância estatal. Por fim, o artigo espera um fortalecimento da proteção à privacidade e o reconhecimento do valor intrínseco dos direitos humanos dentro do sistema judiciário.

Resumo editorial produzido pela equipe da Criminal Player. O texto integral é de autoria dos experts e está publicado no Conjur.

Tópicos do artigo

Principais pontos desenvolvidos no texto original

Principais temas abordados no artigo "A ambição do guarda da esquina é a teletela que está no seu bolso", de Mariana Madera Nunes e Thiago Oliveira Castro Vieira.

  • Violação da Privacidade: Discussão sobre a rotina de violação ao direito fundamental à privacidade e a relevância do reconhecimento pelo STF acerca da licitude de provas obtidas sem autorização judicial.
  • Capitalismo de Vigilância: Análise do impacto do capitalismo de vigilância e a natureza predatória do acesso a dados pessoais, destacando o avanço das tecnologias e o apetite incessante por informações pessoais.
  • Direito à Privacidade: O valor intrínseco da privacidade como uma garantia fundamental e seu papel como pilar da democracia e do Estado de Direito.
  • Implicações nos Regimes Autoritários: Comparação da proteção à privacidade em democracias e regimes autoritários, enfatizando a importância de relações simétricas entre cidadãos.
  • Marco Civil da Internet: Discutido o artigo 7º do Marco Civil da Internet que garante a inviolabilidade das comunicações privadas, reforçando a necessidade de ordem judicial para acesso a dados.
  • Lei Geral de Proteção de Dados (LGPD): Reflexão sobre a LGPD e sua aplicabilidade no contexto de investigações criminais, destacando a responsabilidade do Estado em respeitar a privacidade mesmo em investigações.
  • Proteção da Privacidade e Evidência Digital: A necessidade da preservação da integridade das evidências digitais, e os desafios que envolvem a manipulação e análise de provas digitais.
  • Prova Espoliada: Questionamento sobre a validade de provas obtidas de forma irregular e a importância de um juiz de garantias para revisar a necessidade de acesso aos dados.
  • Impactos na População Vulnerável: Análise da atuação policial sobre jovens negros e periféricos, discutindo como a suspeita e a repressão recaem desproporcionalmente sobre esses grupos.
  • Standard Probatório: Reflexão sobre o julgamento do STF quanto ao padrão mínimo de provas digitais necessárias para condenações, ressaltando a urgência na proteção ao direito à privacidade.
Leia o artigo completo no ConjurTexto integral no site da publicação
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Sobre os experts

Professores e especialistas que conduziram este conteúdo

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Thiago VieiraAdvogado criminalista e professor de processo penal da Pós-Graduação da Universidade Católica do Salvador. Educação acadêmica na área de Direito, concentração nos ramos do Direito Público (Direito Penal, Processual Penal e Administrativo) e na área de informática jurídica. Integrou a Diretoria do Patronato de Presos e Egressos do Estado da Bahia, na gestão de 2002, na qualidade de Corregedor Geral, sendo atualmente membro honorário da instituição. Em dezembro de 2005 fundou a associação Safernet Brasil, ONG que em 2006 se consolidou como entidade referência no enfrentamento aos crimes e violações aos Direitos Humanos na Internet no Brasil e tem se fortalecido institucionalmente no plano nacional e internacional pela sua capacidade de mobilização e articulação, produção de conteúdos e tecnologias de enfrentamento aos crimes cibernéticos no Brasil e pelos acordos de cooperação firmados com instituições governamentais, a exemplo do Ministério Público Federal. À frente da Safernet Brasil foi primeiro secretário e diretor de rastreamento e análise de conteúdo (Diretoria Jurídica), responsável pela coordenação da equipe de analistas responsáveis pelo recebimento, processamento e encaminhamento das denúncias de crimes contra os Direitos Humanos geradas e recebidas pela instituição, além de coordenar os estudos e pesquisas de mapeamento das modalidades de distribuição de conteúdo ilegal e ofensivo na Internet. É membro do Instituto Baiano de Direito Processual Penal (IBADPP) onde coordena a Diretoria de Direito e Tecnologia.

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